Santa Teresa

História de Santa Teresa

SantaTeresaDeJesusSanta Teresa de Jesus

Santa Teresa de Jesus, uma carmelita espanhola do século XVI, marcou a época pelos seus talentos pessoais, mas sobretudo pela sua vida de oração. Santa Teresa é reconhecida como a mestra insuperável da oração. Os seus escritos são de uma simplicidade narrativa, cheios de vida e graça. A sua linguagem é directa e convoca aqueles que a lêem a iniciarem-se no caminho da oração cristã. Se pedíssemos a Santa Teresa de Jesus uma síntese da sua vida, ela diria: "Sou filha da Igreja e eternamente cantarei as misericórdias do Senhor!"

INFÂNCIA

Teresa de Cepeda e Ahumada nasceu na província de Ávila, Espanha, numa família da baixa nobreza. Os seus pais chamavam-se Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz Dávila e Ahumada. Teresa refere-se a eles com muito carinho. Alonso teve três filhos do primeiro casamento. Beatriz deu-lhe outros nove.

Aos sete anos, gosta muito de ler histórias dos santos. O seu irmão Rodrigo tinha quase a sua idade, por isso, costumavam brincar juntos. As duas crianças viviam a pensar na eternidade, admiravam a coragem dos santos na conquista da glória eterna. Achavam que os mártires tinham alcançado a glória muito facilmente e decidiram partir para o país dos mouros com a esperança de morrer pela fé. Assim sendo, fugiram de casa, pedindo a Deus que lhes permitisse dar a vida por Cristo. Em Adaja, encontraram um dos tios que os devolveu aos braços da aflita mãe. Quando esta os repreendeu, Rodrigo colocou toda a culpa na irmã. Com o fracasso dos seus planos, Teresa e Rodrigo decidiram viver como ermitães na própria casa e construíram uma cela no jardim, sem nunca conseguirem terminá-la. Desde então, Teresa amava a solidão.

JUVENTUDE

A mãe de Teresa faleceu quando esta tinha quatorze anos: "Quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então, dirigi-me a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha". Quando completou quinze anos, o pai levou-a para estudar no Convento das Agostinianas de Ávila, para onde iam as jovens de sua classe social.

Um ano e meio mais tarde, Teresa adoeceu e o seu pai levou-a para casa. A jovem começou a pensar seriamente na vida religiosa que a atraia por um lado e a repugnava por outro. O que a ajudou na decisão foi a leitura das "Cartas" de São Jerónimo, cujo fervoroso realismo encontrou eco na alma de Teresa. A jovem comunica ao pai que desejava tornar-se religiosa, mas este pediu-lhe para esperar que ele morresse para ingressar no convento. No entanto, numa madrugada, com 20 anos, a santa fugiu para o convento Carmelita de Encarnação, em Ávila, com a intenção de não voltar para casa.

VIDA RELIGIOSA

Teresa ficou no Convento da Encarnação. O seu pai, ao vê-la tão decidida, deixou de se opor à sua vocação. Um ano depois, fez a profissão dos votos. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar. Seu pai retirou-a do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente paludismo, agravou-se. Teresa conseguiu suportar aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente pelo seu tio Pedro: "O terceiro alfabeto espiritual", do Padre Francisco de Osuna. Teresa seguiu as instruções da pequena obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, recuperou a saúde e retornou ao Carmelo. A sua prudência, amabilidade e caridade conquistavam a todos. Segundo o costume dos conventos espanhóis da época, as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa passava grande parte de seu tempo conversando no locutório. Isto levou-a a descuidar-se da oração mental. Vivia desculpando-se dizendo que as suas enfermidades a impediam de meditar.Pouco depois da morte de seu pai, o confessor de Teresa fê-la ver o perigo em que se achava a sua alma e aconselhou-a a voltar à prática da oração. Desde então, a santa jamais a abandonou. No entanto, ainda não se decidira a entregar-se totalmente a Deus nem a renunciar totalmente às horas que passava no locutório trocando conversas e presentes com os visitantes. Curioso notar que, em todos estes anos de indecisão no serviço de Deus, Santa Teresa jamais se cansava de prestar atenção aos sermões, "por piores que fossem". Cada vez mais convencida de sua indignidade, Teresa invocava com frequência os grandes santos penitentes, Santo Agostinho e Santa Maria Madalena, ao qual estão associados dois factos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro foi a leitura das "Confissões" de Santo Agostinho. O segundo foi um chamamento à penitência que ela experimentou diante de um quadro da Paixão do Senhor: "Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro... e desde então muito progredi na vida espiritual". Sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado na agonia. Certa ocasião, ao deter-se sob um crucifixo muito ensanguentado, perguntou: "Senhor, quem vos colocou aí?" Pareceu-lhe ouvir uma voz: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa". Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade.

As Carmelitas, como a maioria das religiosas, desde os princípios do século XVI, já haviam perdido o primeiro fervor. Já vimos que os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros de toda a cidade. As religiosas saíam da clausura pelo menor pretexto. Os conventos eram lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram muito numerosas. O Convento da Encarnação possuía 140 religiosas.

O PRINCÍPIO DO FIM

Na fundação do convento de Burgos, que foi a última, as dificuldades não diminuíram. Em Julho de 1582, quando o convento já ia com as suas obras adiantadas, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila, mas viu-se forçada a mudar os seus planos para ir a Alba de Tormes visitar a duquesa Maria Henríquez. A Beata Ana de São Bartolomeu afirmou que a viagem não estava bem programada e que a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Certa noite, só puderam comer alguns figos. Chegando a Alba, Teresa teve que se deitar imediatamente. Três dias depois, disse à Beata Ana de São Bartolomeu: "Finalmente, minha filha, chegou a hora da minha morte". O Padre António de Heredia ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando o mesmo padre lhe levou o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e exclamou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!" Morreu às 9 horas da noite de 4 de Outubro de 1582. Exactamente, no dia seguinte, efectuou-se a mudança para o calendário gregoriano, que suprimiu dez dias, de modo que a festa da Santa foi fixada, mais tarde, para o dia 15 de Outubro. Foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam as suas relíquias.Teresa é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos. As suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém uma doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. As suas cartas mostram-na absorvida com os problemas mais triviais. A sua doutrina sobre a união da alma com Deus é bem firmada na trilha da espiritualidade carmelita, que ela tão notavelmente soube enriquecer e transmitir, não apenas aos seus irmãos, filhos e filhas espirituais, mas a toda a Igreja, à qual serviu fiel e generosamente. Ao morrer a sua alegria foi poder afirmar: "Morro como filha da Igreja". Foi canonizada em 1622. No dia 27 de Setembro de 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja.Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores génios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer a sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva dos seus argumentos, o seu estilo vivo e atraente e o seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, tinha-a em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos. A sua festa é comemorada no dia 15 de Outubro.

Elaborado pela aluna, Patrizia Leal
Ano Lectivo 2008/2009