Carlos do Carmo

Chamo-me Carlos Manuel de Ascensão do Carmo, nome artístico Carlos do Carmo. Nasci em Lisboa, a 21 de dezembro de 1939, e sou um cantor e intérprete de fado português.

No Dia Internacional da Língua Portuguesa (5 de maio), os finalistas do Colégio de Santa Teresa de Jesus iniciam a publicação de biografias (ficcionadas) de portuguesas e portugueses com carisma. Agradecemos um comentário que revele a valorização do seu trabalho.


Carlos do Carmo

Grammy ao FADO

AUTOBIOGRAFIA

Chamo-me Carlos Manuel de Ascensão do Carmo, nome artístico Carlos do Carmo. Nasci em Lisboa, a 21 de dezembro de 1939, e sou um cantor e intérprete de fado português.

Aos 15 anos, fui para a Suíça e lá frequentei um colégio alemão, durante três anos. Depois, em Genebra, obtive um diploma em Gestão Hoteleira.

Após a morte do meu pai, em 1962, assumi a gerência do seu negócio, O Faia, que, com o passar dos anos, se tornou numa concorrida casa de Fados da capital. N' O Faia comecei a atuar para os amigos e clientes mais frequentes da casa, até que, em 1964, abracei definitivamente a carreira artística.

Fiquei conhecido como fadista, após gravar com Mário Simões uma versão de “Loucura”, fado de Júlio de Sousa, interpretado também pela minha mãe, a fadista Lucília do Carmo (Lucília Nunes de Ascensão do Carmo).

Em 1967, a Casa da Imprensa distinguiu-me com o prémio Melhor Intérprete e, em 1970, atribuiu-me o prémio Pozal Domingues de Melhor Disco do Ano, para o meu primeiro álbum, intitulado O Fado de Carlos do Carmo.

Participei no Festival RTP da Canção de 1976 e representei Portugal no XXI Festival Eurovisão da Canção.

Durante a minha carreira, para além de várias aparições, tive também dois programas de televisão, por onde passaram alguns dos grandes nomes da canção portuguesa e internacional, onde conversava sobre temas que iam desde o Fado à música em geral, mas também a outras vertentes artísticas.

No que diz respeito a prémios, durante a minha carreira, para além das várias distinções pelos Presidentes da República, em 2008, recebi o Prémio Goya, na categoria de Melhor Canção Original, com o “Fado da Saudade” e, em 2014, tornei-me no segundo artista português a ganhar um Grammy, obtido na categoria Lifetime Achievement.

Anunciei em fevereiro de 2019 o fim da minha atuação nos palcos.

O dia 1 de janeiro de 2021 marca um grande silêncio para se ouvir Fado.

"Fiz este meu caminho que não foi das pedras, mas que considero um caminho sempre saudável e que me levou sempre a ter uma perspetiva de ser solidário com os meus companheiros”.


O nosso comentário

Carlos do Carmo foi um dos maiores fadistas portugueses. Foi ele quem teve um papel relevante na candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade (UNESCO 2011).

Ao longo da sua carreira, lançou mais de 30 álbuns, com dezenas de músicas de sucesso nacional e internacional. Colaborou com muitos artistas mais novos e mais velhos… sempre com muita generosidade. Conseguiu unir talento artístico com solidariedade. É “arte”!


Mafalda – Vitória – Ignacio
– Finalistas 2020-21 do Colégio de Santa Teresa de Jesus

(imagem de: Carlos do Carmo)